Joelhos vermelhos

Pensei em escrever a crônica de uma menina doce com olhar amargo

Queria decifrar o gosto da sinestesia e vibração que ela me causara

Ela me disse que acordava todos os dias com sede

Bebia água, sucos de todas as frutas, bebeu cachaça barata e vodka cara.

Expectorando o sabor do vômito, ali, agarrada ao pé do vaso, com os joelhos sangrando,

Esteve sedenta como nunca, como um balde furado onde a água molha- mas nunca para de cessar.

A sede a invadiu, e ela queria beber gota por gota.

Gotas de joelho que vertiam o vermelho de vingança.

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Escrevi tudo em meu caderno de escritor fodido e mal pago; escrevi em vermelho. Nós dois sabíamos que ela nunca teria sua chance de vingança, mas gostávamos dessa literatura.

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