Uma noite de um dia difícil

Tem dias que não nascem pra ser fáceis. Você vai ter que aceitar, rolou a noite toda na cama, pra lá e pra cá, e quando finalmente achou uma posição perfeita e aconchegante o despertador toca. Você ignora o ódio de tê-lo programado pra isso e levanta. A claridade que entra pelas frestas incomoda. O café não passado incomoda. A vida acontecendo lá fora incomoda.

Mas é mais do que isso. Liga-se o automático pra dar passo as atividades rotineiras, mesmo quando elas já se tornaram um fardo. Não se trata, em dias difíceis, esperar pela hora do almoço. Mas, esperar pela hora do milagre.

Num dia complicado, eu precisaria de uma epifania. No dia difícil, eu fujo de delongas reflexivas, porque elas chegam armadas. E ferem. Sem que ninguém veja.
Ou então, escreveria sob uma sombra algo de expressivo. Naquele difícil, nada foge de um sol ardente, que agora parece morar dentro de mim. Não tem mais o que se escrever, nem ler, nem comer, nem pensar.

Nenhum verbo que faça sentir prazer. Porque o dia que for realmente difícil vai te acusar egoísta por querer, falho, se exibir a felicidade.

O dia difícil te permite ao menos dormir, é verdade.
Mas sempre acorda pra te mostrar quanta culpa tem debaixo do seu travesseiro.

Hoje dormi muito, mas não descansei. Tenho os olhos vermelhos, e pela frente uma noite inteira de um dia difícil.

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