Para o lado de dentro

Uma vida toda para dentro e nunca para fora. É essa a impressão que o tempo trás, você vai vivendo e se lembrando de alguma coisa que leu em livros, quando na verdade deveria ser o contrário: ler livros e se lembrar do que viveu.

A minha coleção de histórias, muitas vezes cômicas ou delirantes, estão vagas e superficiais quando já decorei o roteiro e o modo de narrá-las. Eu apenas vou lembrando delas com afago grande nesses dias de inverno, lembrando nunca em palavras, na memória é mais bonito. E vou ouvindo mil e trezentas músicas por dia, ou apenas uma unica música que coloco para repetir o mês inteiro como forma de acalmar meu tormento. É tudo excessivo ou escasso por onde eu vivo. E vivo comprando canetas com a tentação de escrever tudo quanto histórias me vier a mente, já escrevi sobre morte e vida e a principal da história geralmente é severina, nunca eu. Quando vou falar de mim, desvio o tom para uma terceira pessoa. Aprendi ir existindo assim, entre miudezas.

Lendo, escrevendo, ouvindo música o tempo todo, uma sequência banal. Tomei pra mim e inventei uma liberdade. Fiz paz com as próprias mãos. Engoli o choro. Engoli a mágoa. Engoli a vida. Vivo agora sobretudo para o lado de dentro… E do lado de fora, faço o possível.

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